PARALELOS

paralelos

LONGITUDE E LATITUDE, ASPECTO E PARALELO

Por Clovis Peres

Esta é a escrita da palestra proferida no CINASTRO 2015 – Além Fronteiras, em 14 de setembro de 2015,que não se propõe definitiva e nem sequer expõe claramente acerca de assunto tão complexo como ações humanas, que simbolizamos nos Paralelos de Latitude e Declinação, e dos objetos, simbolizados nos Aspectos chamados de quadraturas, conjunções, oposições, etc. O que aqui se pretende é sugerir a observação e a pesquisa das Declinações e Latitudes como uma dimensão fundamental da astrologia, esquecida ou escondida pelos adoradores das coisas, que se ocupam unicamente com ângulos que se formam entre dois ou mais planetas em seu curso circular. Procuramos, pois, distinguir aspectos de paralelos, considerando uns como fabricação ou construção, e os outros como ação e reação aos objetos e às ações alheias.

Um mapa astrológico é calculado e construído tendo como dados fundamentais o nome, o tempo e o espaço. O nome do evento é Maria ou João, terremoto ou furacão, peste negra ou azul, guerra, pedra, árvore, este algo que se apresenta numa encruzilhada do tempo e do espaço. E o tempo e espaço, se diz, são relativos ao observador.

O tempo é o dia, o mês, o ano e a hora e minuto da ocorrência ou do nascimento, o início da erupção ou do lançamento da pedra que fundamenta. Mas também é algo que trazemos conosco, que vem de dentro para fora.

O espaço é determinado pela distância em longitude ao meridiano definido como zero (na Terra se usa o Meridiano de Greenwich como zero grau de longitude) e pela latitude, oscilação acima e abaixo de um plano qualquer, seja formado pelo caminho do sol, da terra ou do horizonte local. Mas não parece vir conosco, mas algo que encontramos ou construímos aí fora, a máquina do mundo.

“O espaço é hoje um sistema de objetos cada vez mais artificiais, povoados por sistemas de ações igualmente imbuídos de artificialidade, e cada vez mais tendentes a fins estranhos, ao lugar a seus habitantes.” (Santos, Milton, Técnica, Espaço e Tempo, Hucitec, São Pulo 1977, p.90)

O mapa se apresenta como um conjunto de planetas em signos zodiacais e casas terrestres, em relações (aspectos) que se chamam de conjunções, sextis, oposições, trígonos e quadraturas que especificam o acontecimento. A Segunda Guerra, diz-se, começou no amanhecer de 1º de setembro de 1939, na fronteira da Alemanha com a Polônia, ou José nasceu em Belém no dia 23 de julho de 1845, no meio do dia. Os aspectos dos planetas entre si no instante do nascimento se constituem pela determinação dos ângulos que os planetas fazem entre si ao longo do círculo da Eclíptica.

Então se diz que o Sol percorre o signo de Leão e a Lua o signo de Áries, ambos num feliz aspecto chamado trígono (120º), o que significaria acordo entre o necessário impulso lunar e a sua realização concreta, adequada e visível, ou, acordo entre o que se quer e o que se deve. Ou então se diz que o Sol cruzava o signo de Touro e a Lua o signo de Aquário, numa quadratura (90º), dita infeliz e desastrosa, que significaria o conflito entre a realização concreta e trabalhosa de algo e a ideia ou ideal que motiva o esforço, entre o trabalho e a liberdade de criação.

Mas, se um ponto no espaço se determina por uma Longitude e uma Latitude, por que a latitude não é considerada na localização dos planetas, por que não se fala de suas relações horizontais, acima ou abaixo da Eclíptica, do Equador e do Horizonte, mas somente de aspectos, que são graus de longitude? Será porque a horizontalidade, estar deitado, se refere sempre ao dormir de barriga cheia, ao prazer e à preguiça, e, a verticalidade ao acordar e trabalhar, construindo um mundo de triângulos, quadrados, quincunces, quintis e outras figuras mais? Ou porque a quantidade de objetos que hoje nos cerca impõe uma existência puramente lógica e racional, sem considerar a sensibilidade que não deixa de ser maravilhada ou acachapada por tamanha profusão de coisas e instrumentos de prazer e vida eterna? E que faziam o meio de campo na relação dos indivíduos entre si, como a língua, o território e os utensílios que, de tão raros, eram sagrados; agora, que produzimos mais coisas do que pessoas, estes objetos não mediam relação alguma, e tudo e todos, cada vez mais, são somente coisa inerte que deve ser constantemente atualizada ou descartada.

Seja como for ignora-se o domínio do não geométrico, do informe e do disforme que se associam naturalmente ao horizonte de um amanhecer ou de um anoitecer: o que está acima ou abaixo do plano da Eclíptica, do Equador e do horizonte, o que é centrado e a-centrado, ativo e reativo, visível e invisível, não se considera, ou, então, se diz, precariamente, a partir das figuras geométricas construídas sobre a longitude, como uma objetivação da irracionalidade.

A Longitude é convenção, ou dominação, se se quiser, mas a Latitude é uma reação natural quando determinada pelo Equador, e uma ação desejada e pensada quando determinada pela Eclíptica. Que o Meridiano esteja situado em Porto Alegre ou em Manaus é mera convenção, mas a declinação equatorial e a latitude eclíptica, acima ou abaixo do Equador e da Eclíptica, determinam, respectivamente, reações ao frio e ao calor, à umidade e à secura, e ações sobre objetos e outras ações.

A suposição é de que nos Paralelos de Declinação Equatorial somos mobilizados ou levados de arrasto pela necessidade que ruge, enquanto nos Paralelos de Latitude Eclíptica somos envolvidos por ideais e ações para realiza-los: a cega reação da multidão nos paralelos e contra paralelos de Declinação Equatorial é condicionada por um clima, enquanto as ações da multidão organizada, dos paralelos de Latitude Eclíptica, são determinadas pelos fins e ideais que acordam realizar em conjunto, em vez de somente se entredevorarem. Ou, dito de outro modo, Paralelos de Declinação Equatorial descrevem uma atmosfera, de medo ou de esperança, enquanto Paralelos de Latitude Eclíptica descrevem, no mundo das coisas, o amor e o ódio entre desejos organizados e pensamentos orientados ao objeto, a um fim.

O adestramento das reações animais de sobrevivência no sentido de uma determinada ordem, que chamamos de cultura, civilização ou mundo, é a metamorfose de um predador altamente especializado, como somos nós, humanos, em um além do homem capaz da comunidade que promove a excelência de cada um em vez de explora-lo impiedosamente durante todos os dias de sua vida, em nome apenas da fome de algum grande e gordo predador maior. O convívio que nos diminui em nome do outro idealizado não passa servidão miserável a uma viciosa fantasia produzida e disseminada pelo excesso religioso e científico.

A passagem da reação automática, descrita pelo Paralelo de Declinação Equatorial, para uma ação organizada e pensada, descrita no Paralelo de Latitude Eclíptica, se dá por mediações que chamamos de cultura, sistemas de objetos e de ações que são como portas, pontes e redes que entrelaçam a ferocidade e a doçura no dia a dia de uma comunidade ou de um indivíduo qualquer. Aspectos, tais como a conjunção, a quadratura e a oposição, servem para estabelecer uma rota, mantê-la ou corrigi-la; Paralelos de Declinação indicam como organizamos a energia disponível, enquanto Paralelos de Latitude descrevem a ordenação dessa energia no sentido de um objetivo ou fim qualquer.

No mapa astrológico a longitude aparece como o eixo vertical do Fundo do Céu e do Meio do Céu, e a latitude como o eixo do Ascendente e do Descendente, onde se poderia entrever o Meio do Céu como aparecimento para os outros, o Fundo do Céu como aparecimento para si mesmo, o Ascendente como ação sobre coisas e pessoas e, finalmente, o Descendente, como as coisas e a pessoas agem sobre nós.

PARALELOS DE DECLINAÇÃO EQUATORIAL

PARALELOS DE DECLINAÇÃO

A Declinação equatorial de Saturno, Urano, Netuno e Plutão entre 1900 e 2050, em que Plutão, em Leão, atinge a máxima declinação norte em abril-maio de 1947, juntamente com Urano e Saturno, cruzando o Equador Celeste no rumo do sul do Mundo em novembro-dezembro de 1987, em Escorpião, atingindo a máxima declinação sul em outubro-novembro de 2032, em Aquário. O paroxismo de violência da Segunda Grande Guerra atinge o seu esplendor com a explosão atômica sobre o Japão, inaugurando o medo universal do autoextermínio, que hoje chamamos de Guerra Fria; em 1987, a Perestroika e o tratado, entre os Estados Unidos e a combalida União Soviética, que eliminaria, dali em diante, a produção armas nucleares de médio alcance.

             No início do século XX, Netuno em Leão e Plutão em Câncer se encontram em Paralelo de Declinação com entre 1917 e 1918, quando explode a familiar carnificina dos primos na Europa, e, na Rússia, fuzila-se a família real e se funda a União dos Sovietes dos operários, camponeses e soldados; o Contra Paralelo de Netuno com Plutão, com Netuno em Escorpião e Plutão em Virgem, ocorre ao redor de 1967, início da Guerra do Vietnam e a exportação da Doutrina de Segurança Nacional norte americana para todos os países sob seu domínio; e, novamente o Paralelo, ao sul do Equador, ocorre ao redor de 2006, quando se estabelece o clima da Guerra ao Terror, onde o inimigo e a vítima são qualquer um. O próximo Paralelo de Declinação Equatorial entre ambos ocorre somente em 2108.

             Urano, que começa o século XX na máxima declinação sul, se encontra em Paralelo  de Declinação com Netuno em 1933, em Áries e Virgem, quando , do caos gerado pela profunda crise econômica brotam nazistas e fascistas, de início amados pelos que combatiam o comunismo soviético; e Urano se encontra em Paralelo de Declinação com Plutão entre 1946 e 1952, quando Urano passa de Gêmeos a Câncer e Plutão transita em Leão: a guerra se transforma pelo uso da bomba atômica, gerando estratégias baseadas no terror da destruição total, promovendo  conflitos limitados e não declarados que, de certa forma, evitam a guerra absoluta e definitiva.

Saturno junta-se a Urano e Plutão, na máxima declinação norte, no início da era atômica, e se junta a Netuno e Urano, na máxima declinação sul, no final dos anos 80, na queda do Muro de Berlim e nos primeiros passos da rede mundial de computadores.

PARALELOS DE LATITUDE ECLÍPTICA

PARALELOS DE LATITUDE

             Plutão inicia o século XX a dez graus de latitude sul cruza a Eclíptica no rumo do norte em setembro de 1930 no signo de Câncer, recebendo no entorno desses anos o Paralelo e o Contra Paralelo de Latitude de todos os outros planetas que, como se vê, permanecem muito próximos do plano estabelecido pela eclíptica, ao contrário de Plutão que se afasta muito desse plano, chegando a 17 graus e 39 minutos ao norte da eclíptica entre 1978-1979; cruza novamente a eclíptica no rumo do sul entre 2017-2018, chegando à máxima latitude sul ao redor de 2080. Portanto, entre 2017 e 2020 recebe paralelos de todos os outros planetas, o que aconteceu pela última vez entre 1929 e 1932. O mínimo que se pode dizer dessa passagem de Plutão pela linha da Eclíptica é de que nada será como antes: No Brasil ocorreu a Revolução de 3 de outubro que levou Getúlio Vargas ao poder, e, na Alemanha, Hitler tornava-se Chanceler do Reich.

Clovis Peres

Astrólogo

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